segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Alfacoop despede e corta salários


O não pagamento do subsídio de alimentação a professores e funcionários é uma das medidas tomadas pela direcção da cooperativa Alfacoop para fazer face ao corte de verbas para o funcionamento do Externato Infante D. Henrique, em Ruílhe.
Ontem de manhã, centenas de encarregados de educação exigiram a revogação da portaria que fixa novos valores de financiamento às escolas que têm contrato de associação com o Ministério da Educação. No caso do Externato Infante D. Henrique, frequentado por 1 256 alunos de nove freguesias dos concelhos de Braga, Barcelos e Famalicão, o corte é de 100 mil euros por mês, o que leva o seu director, José da Silva Ferreira, a anunciar como inevitáveis despedimentos e cortes salariais.
“Em relação ao pessoal não docente vamos ter de fazer despedimentos imediatamente”, adiantou o director no final de uma concentração de pais e encarregados de educação, no pavilhão do Externato.
Todos os professores sofrerão uma diminuição de 15 por cento nos salários, tal como aos funcionários não docentes com remunerações.
“A situação é insustentável. Sem reduzir os vencimentos e o quadro de pessoal não é possível continuar”, lamentou o director.
As restrições impostas pela portaria que entrou em vigor no início do ano, associadas à reestruturação curricular dos 2º e 3º ciclos do ensino básico obrigarão, no final do ano lectivo, à dispensa de alguns docentes.
O director do Externato alega que a falta de folga orçamental não permitirá manter o quadro actual de professores depois da extinção de disciplinas como Estudo Acompanhado e Área de Projecto.
Tal como o director, também o presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Externato Infante D. Henrique considera inaceitável que “a meio do ano lectivo se corte 26 por cento do funcionamento de uma escola”.

Pais apreensivos
Francisco Pinto expressou a “preocupação” dos encarregados de educação de que a escola venha a fechar por falta de financiamento e contrariou “a ideia de que esta escola é para ricos”. O representante dos pais referiu que “60 por cento dos nossos alunos recorrem à acção social”.
Toda a actividade desenvolvida no Externato fundado em 1983 em Ruílhe poderá estar em causa com a redução do financiamento estatal.

Recurso a crédito

José Silva Ferreira adiantou ontem que a direcção da cooperativa Alfacoop assume o compromisso de suportar, eventualmente com recurso a crédito bancário, entre 11 a 12 por cento dos 26 por cento de corte nas transferências do Ministério da Educação.
“O que estamos a pedir aos professores é que suportem globalmente os outros 15 por cento”, acrescentou. Sérgio Cortinhas, com 15 anos de serviço docente no Externato, vê já como muito provável a redução do seu salário.
Condenando o preconceito ideológico de uma certa esquerda em relação ao ensino particular e cooperativo, este professor garante que nestes estabelecimentos os custos de funcionamdento são inferiores aos do sector público.

Externato fecha como protesto

Os pais e encarregados de educação do Externato Infante D. Henrique aprovaram ontem, por unanimidade, o encerramento da escola como forma de protesto contra a aplicação da portaria 1324-A/2010, que reduz o financiamento do estabelecimento de ensino por parte do Ministério da Educação.
A decisão dos pais, que será concertada com outras associações de escolas particulares e cooperativas de ensino gratuito, é aceite pela direcção do Externato.
“Perante a vontade dos pais em encerrar a escola, a direcção da escola não se vai opor”, disse o director do estabelecimento de ensino, José da Silva Ferreira.
Uma moção aprovada ontem numa assembleia extraordinária de pais e encarregados de educação, a que se associaram muitos alunos e professores, refere que a referida portaria “asfixia financeiramente a escola de uma forma insustentável”, pondo em causa a estabilidade profissional de professores e trabalhadores não docentes e a qualidade do serviço público de educação.
Os encarregados de educação aproveitam a presença de Cavaco Silva, esta tarde, em Braga, em campanha para a Presidência da República, para voltar a manifestar os seus argumentos a favor da “liberdade de escolha da escolha”, direito que consideram ser posta em causa com a redução do financiamento dos estabelecimentos com contrato de associação.



                                                                       fonte: Correio do Minho

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